18.8.08

AGOSTO LOUCO III - Vovó Louca

Eu sabia, desde que nasci, que vovó Clotilde ia ser assassinada. Cedo ou tarde. Na verdade foi bem à noite, às 23 horas.
Ela não era uma pessoa muito amigável, só gostava de uma pessoa no mundo. De mim e o Jubileu (que era o gato do vizinho, então não conta como uma pessoa).
Então era isso, enquanto eu não estava presente, vovó Clotilde era uma pessoa insuportável, louca de pedra, doidinha da rocha, insana de montanhas, biruta de arenito e tansa do basalto.
Algumas pessoas têm certas manias que as outras não conseguem compreender e acham que a pessoa é louca só por causa disso. Pois, vovó tinha a mania de se trancar nos aposentos e cagar em tudo quanto é canto, ou seja, louca varrida.
Vovó tinha uma disposição pra cagar que não era normal, possuía uma bosta densa e emblemática, um tanto quanto saporífica e desmantelada, de uma consistência ímpar e de aroma bélico, quase gatalhante.
Resumindo, era uma bosta de merda, e ela colocava em todos os lugares por onde passava. Sendo assim, fica fácil especular quem a matou. Óbvio que foi a empregada, que não agüentava mais tanta merda.
A empregada varreu a vovó da face da Terra, limpou a merda em pessoa, passou desinfetante no estrume, matou minha vovozinha. A empregada foi homenageada como empregada do mês, teve sua foto pregada durante um tempo na parede da cozinha da casa e depois foi esquecida e virou faxineira. Profissão em que não obteve sucesso.

Um comentário:

Daniel Teixe disse...

Apesar das tempestividades é fato que a periculosidade da senhora com vínculo empregatício para com sua avó não era das menores.

Era uma periculosidade um tanto quanto capciosa, talvez até bélica, tão quanto o aroma do coprólito de sua ancestral.